quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O SUPEREGO INACREDITÁVEL (por Ana de Oliveira)

“The things, you say
You’re unbelievable…” (EMF)
Uns meses atrás em uma conversa com minha irmã mais nova, ela me contou que meu cunhado disse que esta música da banda EMF se encaixava perfeitamente a mim e que ele colocaria como toque do celular quando eu o ligasse. Confesso que achei engraçadíssimo quando fui prestar atenção na letra da música. Tudo bem que a única parte que se parece comigo é o refrão que diz: as coisas que você diz... você é inacreditável!
Eu cresci ouvindo várias críticas quanto ao meu modo de pensar e de me expressar. Tiveram épocas que isto realmente me incomodava, tanto que procurei uma psicóloga para ver se eu conseguia mudar ou, simplesmente, me aceitar. Lembro que na última sessão de terapia, indaguei o porquê de ela estar me dando alta, afinal eu não estava curada. Ela, com um sorriso amável no rosto, disse-me: Ana, você não tem problema algum! Cada um tem uma personalidade e a sua é esta. Sua essência! Com o tempo você irá aprender a moldá-la para evitar certos desgastes, apenas isto!
A origem da expressão Personalidade remete-nos para persona, “máscara” utilizada no teatro grego para representar as emoções dos atores. Ela é um elemento relativamente estável na conduta da pessoa. É o que nos torna únicos, diferentes de todos.
Confesso que nunca mais esqueci o que a Dra. Martha me disse naquele nosso último encontro.
Psicólogos dizem que vários fatores influenciam a personalidade de uma pessoa, quais sejam: influências hereditárias, meio social e experiências sociais. A meu ver, nada mais é que uma forma mais fácil de explicar o que Freud já havia proposto nos três componentes básicos estruturais da psique: id, ego e superego.
Desde meu último encontro com a psicóloga, vivenciei várias brigas internas tentando moldar este jeito Ana de ser. Hoje, aos 32 anos, posso dizer que consegui. Moldei da forma mais INACREDITÁVEL que eu poderia. Juntei todos os meus sentimentos, pensamentos, comportamentos, projetos de vida, todas as minhas emoções, atitudes, motivações, tomadas de decisões e coloquei num liquidificador interno. Misturei bem e... voilà! Mistureba que permite que eu me reconheça e seja reconhecida pelas pessoas. Esta mistura heterogênea a qual seus componentes são totalmente perceptíveis representa fielmente o ser humano Ana.
A Ana que nunca deixou de ser o que é, que sempre foi a mesma no espaço e no tempo. Aquela que sempre manteve a identidade para consigo e a diferenciação para com os outros.
Relembrando a estrutura proposta por Freud, vale a pena dar uma breve explicação sobre o superego. Este é a última estrutura da personalidade e se desenvolve a partir do Ego. O superego atua como juiz ou censor sobre as atividades e pensamento do Ego, é o depósito dos códigos morais, modelos de conduta e dos parâmetros que constituem as inibições da personalidade. Freud descreve três funções do Superego: consciência, auto-observação e formação de ideais. Em relação à consciência pessoal, o Superego age tanto para restringir, proibir ou julgar a atividade consciente, porém, ele também pode agir inconscientemente. Quanto à auto-observação, o Superego tem a capacidade de avaliar as atividades da pessoa. A formação de ideais do Superego está ligada ao seu próprio desenvolvimento.
Por fim, para retomar o refrão da música, cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam (consciência pessoal do Superego). Acredito que meu cunhado imagina que a maioria dos meus eventos mentais “parecem” ocorrer espontaneamente, mas sinto informá-lo, é ao contrário. Tenho a intenção consciente e a faço por amor em ver as pessoas me olharem com um ponto de interrogação no rosto e mentalmente dizerem: as coisas que você diz são INACREDITÁVEIS! Uma bela massagem no meu SUPEREGO!

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