Há algum tempo venho observando algumas banalizações na vida, e uma delas é em relação ao amor, aos sentimentos. E, observando, percebi que nada melhor que usar pessoas que apareciam em minha vida para fazer um “workshop”.
Tenho visto muitos homens e mulheres que gostariam de “relacionar-se”, no entanto, por estarmos num tempo de furiosa “individualização” temem que tal condição possa trazer encargos e tensões que eles não se consideram aptos nem dispostos a suportar, e que podem limitar severamente a liberdade de que necessitam para “relacionar-se”.
Não sei se por questão de destino, de uns 4 meses pra cá, andei conhecendo muita gente divorciada, o que me fez perceber com grande tristeza que a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda.
As pessoas andam muito individualistas. Caso o(a) companheiro(a) não se encaixe nos padrões estipulados pelo(a) parceiro(a), o tchau é facilmente dito e cada um pega um rumo diferente. Isto porque ainda estou falando apenas da individualidade, não entrei na seara dos valores invertidos, pois conversando com vários casais, vejo que lealdade, fidelidade e respeito não estão sendo colocados em prática. Saindo deste grupo, conheci também muitas pessoas solteiras reclamando de que parecem estar numa vitrine de loja e que são escolhidas, “consumidas” e depois jogadas fora (último grupo no qual me encaixo).
Deve ser por causa desta visão, que Erich Fromm em seu livro “A arte de amar” escreveu que “a satisfação no amor individual não pode ser atingida sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras.” E mais a frente acrescenta, com tristeza, que em uma cultura consumista como a nossa na qual são raras essas qualidades e que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista.
Nestes dois últimos meses de 2014, Lois foi refém do destino. Destino este que a fez viver de “quases” por um tempo. Quase se encontrou com ele, quase foi aos mesmos eventos, quase tiveram suas ruas se cruzando diversas vezes, até que um dia o “quase” foi interrompido. Em uma conversa, Lois me confessou que preferia que tudo tivesse permanecido no “quase”, pois até então ela não tinha se atentado ao fato de que no destino há pelo menos dois seres, cada qual uma grande incógnita na equação do outro. Incógnita a qual ela estava bem disposta a decifrar e o que não lhe faltou foi disposição para isto. O destino de Lois tinha um nome, Clark.
Tenho observado que as pessoas hoje em dia estão entrando em relacionamentos irrelevantes. Relacionamentos banhados a incertezas. Parece que para o parceiro, a outra pessoa é uma ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado. Desta forma, hoje vejo as pessoas sempre na defensiva, parece que aprenderam que o compromisso com alguém é a maior armadilha a ser evitada.
E, se os compromissos são irrelevantes quando as relações deixam de ser honestas e parecem improváveis que se sustentem, as pessoas se inclinam a substituir as parcerias pelas redes, vide os tão famosos aplicativos amorosos. Antes já parecia que todos estavam em prateleiras expostos, mas hoje é a realidade. Tinder, Zoosk, etc., são apenas “lojas” virtuais que expõem pessoas e parece leilão. Quem clicar mais rápido em uma pessoa e o aplicativo acusar que a outra também clicou nela, pronto! Vendida!
Lois, em verdade meu alter ego freudiano, recusa-se a entrar neste mundo novo. Ela é real, alma inundada de sentimentos verdadeiros. Tem a absoluta certeza que as pessoas não são descartáveis, desta forma não age como se fossem. Lois não gosta de barganhar sentimentos e muito menos de agir conforme a sociedade impõe. Não se faz de difícil; se estiver disposta, corre atrás e adianta o primeiro passo. E quem disse que ela tem medo de se sentir vulnerável? Nada disto! Se ela estiver sentindo, vai dizer para quem quiser ouvir o quanto gosta daquele destino lá em cima citado. Ela faz o que o coração dela tem vontade, única e exclusivamente, porque assim deseja. Acredita que, caso seu destino não estivesse disposto a correr os riscos, não a teria desafiado a jogar.
Mas a história que Lois me contou não teve um final feliz. Queria ela que isto tivesse ocorrido. Seu destino, Clark, estava ávido por caçar em outras pastagens. E, mais uma vez, Lois se sentiu como se fosse uma transação comercial. Claro que tudo que ela precisava de Clark era um mínimo de retorno, mas aprendeu da forma mais cruel que não se pode barganhar uma troca.
Enfim, para o meu alter ego e para outras pessoas que possam ler tudo que escrevi, só posso reproduzir algo que li estes dias: “devemos ter discernimento para diferenciar indiferença de descuido. Coragem para guardar o ego, o apego e aquela vontade tentadora de “chegar em primeiro lugar” em um cantinho bem escondido da nossa alma. Muita fé, para acreditar que onde a gente deposita nossa vivência alguém transformará nossa prece em disponibilidade, respeito e merecimento. E que nos bancamos sozinhos e nos bancamos com um coração.”
Tenho visto muitos homens e mulheres que gostariam de “relacionar-se”, no entanto, por estarmos num tempo de furiosa “individualização” temem que tal condição possa trazer encargos e tensões que eles não se consideram aptos nem dispostos a suportar, e que podem limitar severamente a liberdade de que necessitam para “relacionar-se”.
Não sei se por questão de destino, de uns 4 meses pra cá, andei conhecendo muita gente divorciada, o que me fez perceber com grande tristeza que a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda.
As pessoas andam muito individualistas. Caso o(a) companheiro(a) não se encaixe nos padrões estipulados pelo(a) parceiro(a), o tchau é facilmente dito e cada um pega um rumo diferente. Isto porque ainda estou falando apenas da individualidade, não entrei na seara dos valores invertidos, pois conversando com vários casais, vejo que lealdade, fidelidade e respeito não estão sendo colocados em prática. Saindo deste grupo, conheci também muitas pessoas solteiras reclamando de que parecem estar numa vitrine de loja e que são escolhidas, “consumidas” e depois jogadas fora (último grupo no qual me encaixo).
Deve ser por causa desta visão, que Erich Fromm em seu livro “A arte de amar” escreveu que “a satisfação no amor individual não pode ser atingida sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras.” E mais a frente acrescenta, com tristeza, que em uma cultura consumista como a nossa na qual são raras essas qualidades e que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista.
Nestes dois últimos meses de 2014, Lois foi refém do destino. Destino este que a fez viver de “quases” por um tempo. Quase se encontrou com ele, quase foi aos mesmos eventos, quase tiveram suas ruas se cruzando diversas vezes, até que um dia o “quase” foi interrompido. Em uma conversa, Lois me confessou que preferia que tudo tivesse permanecido no “quase”, pois até então ela não tinha se atentado ao fato de que no destino há pelo menos dois seres, cada qual uma grande incógnita na equação do outro. Incógnita a qual ela estava bem disposta a decifrar e o que não lhe faltou foi disposição para isto. O destino de Lois tinha um nome, Clark.
Tenho observado que as pessoas hoje em dia estão entrando em relacionamentos irrelevantes. Relacionamentos banhados a incertezas. Parece que para o parceiro, a outra pessoa é uma ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado. Desta forma, hoje vejo as pessoas sempre na defensiva, parece que aprenderam que o compromisso com alguém é a maior armadilha a ser evitada.
E, se os compromissos são irrelevantes quando as relações deixam de ser honestas e parecem improváveis que se sustentem, as pessoas se inclinam a substituir as parcerias pelas redes, vide os tão famosos aplicativos amorosos. Antes já parecia que todos estavam em prateleiras expostos, mas hoje é a realidade. Tinder, Zoosk, etc., são apenas “lojas” virtuais que expõem pessoas e parece leilão. Quem clicar mais rápido em uma pessoa e o aplicativo acusar que a outra também clicou nela, pronto! Vendida!
Lois, em verdade meu alter ego freudiano, recusa-se a entrar neste mundo novo. Ela é real, alma inundada de sentimentos verdadeiros. Tem a absoluta certeza que as pessoas não são descartáveis, desta forma não age como se fossem. Lois não gosta de barganhar sentimentos e muito menos de agir conforme a sociedade impõe. Não se faz de difícil; se estiver disposta, corre atrás e adianta o primeiro passo. E quem disse que ela tem medo de se sentir vulnerável? Nada disto! Se ela estiver sentindo, vai dizer para quem quiser ouvir o quanto gosta daquele destino lá em cima citado. Ela faz o que o coração dela tem vontade, única e exclusivamente, porque assim deseja. Acredita que, caso seu destino não estivesse disposto a correr os riscos, não a teria desafiado a jogar.
Mas a história que Lois me contou não teve um final feliz. Queria ela que isto tivesse ocorrido. Seu destino, Clark, estava ávido por caçar em outras pastagens. E, mais uma vez, Lois se sentiu como se fosse uma transação comercial. Claro que tudo que ela precisava de Clark era um mínimo de retorno, mas aprendeu da forma mais cruel que não se pode barganhar uma troca.
Enfim, para o meu alter ego e para outras pessoas que possam ler tudo que escrevi, só posso reproduzir algo que li estes dias: “devemos ter discernimento para diferenciar indiferença de descuido. Coragem para guardar o ego, o apego e aquela vontade tentadora de “chegar em primeiro lugar” em um cantinho bem escondido da nossa alma. Muita fé, para acreditar que onde a gente deposita nossa vivência alguém transformará nossa prece em disponibilidade, respeito e merecimento. E que nos bancamos sozinhos e nos bancamos com um coração.”
(PS.: qualquer semelhança com histórias de pessoas próximas ou até mesmo minhas, não é mera coincidência.)