sexta-feira, 27 de março de 2015

A TERAPIA DO ABRAÇO (por Ana de Oliveira)

“Me abrace, que no abraço mais do que em palavras, as pessoas se gostam.” (Clarice Lispector)
Entre várias nuances que podem caracterizar as relações interpessoais, tem uma que certamente me interessa individuar: o abraço, pois dentro dele abriga muitas outras nuances.
Ele é algo muito complexo, apesar de não aparentar. Enquanto os dois respiram juntos, devagar e descontraidamente, prestam atenção no sentimento de compaixão que flui de um coração para o outro.
Há quem diz que existem vários tipos: de urso, de amigo, de namorados, virtual, protetor, roubado, de mãos, de despedida, terapêutico e por aí vai. No Brasil existe até o dia do abraço que é comemorado no dia 22 de maio.
Todos que me conhecem sabem o tanto que prezo por esta forma de carinho. Nele tento passar o que há de melhor em mim, um amor puro e incondicional, pois sempre o concedo do fundo do meu coração.
Tenho uma amiga que não gosta de abraços. É até engraçado se não fosse triste. Toda vez que a encontro tenho aquela vontade imensa de abraçá-la, mas lembro-me o quão desconcertada ela fica. Uma vez, aqui em casa, eu e minha irmã falamos que iríamos fazer a terapia do abraço com ela, então a abraçamos ao mesmo tempo, mas acho que não surtiu muito efeito, pois ela logo pediu para a soltarmos.
Fico imaginando o que aconteceu com ela para não gostar deste gesto tão carinhoso, afinal, como já diz a banda Jota Quest em sua música “Dentro de um abraço”: o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.
Vivendo esta minha mania de abraçar (não todos, mas pessoas as quais tenho uma grande consideração), formulei minha própria teoria sobre amplexo. Ele é firme e, ao mesmo tempo, leve. Quando sentimos uma irresistível vontade de abraçar alguém, estamos demonstrando a sensibilidade da nossa alma. É como dizermos que identificamos a outra pessoa como sendo alguém especial. Normalmente, quando não se tem palavras para expressar um sentimento, nada se diz: apenas se abraça a outra pessoa com o coração. E, quando se é sincero, não conseguimos esconder o que sentimos, pois o toque é a manifestação mais forte que possuímos.
Como já dizia o matuto mineiro em seu discurso sobre a tecnologia do abraço:
“O abraço é bom por causa do coração. Quando você abraça alguém, você está fazendo massagem no coração e o coração do outro é massageado também! Mas não é só isso não... Aqui está a chave do maior segredo de tudo: é que quando a gente abraça alguém, nós ficamos com dois corações no peito!”
É...concordo com o matuto e ouso ainda completar que os abraços deveriam ser os únicos apertos que a gente deveria passar na vida.
Sintam-se abraçados, mesmo que virtualmente!

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