“Me abrace, que no abraço mais do que em palavras, as pessoas se gostam.” (Clarice Lispector)
Entre várias nuances que podem caracterizar as relações interpessoais, tem uma que certamente me interessa individuar: o abraço, pois dentro dele abriga muitas outras nuances.
Ele é algo muito complexo, apesar de não aparentar. Enquanto os dois respiram juntos, devagar e descontraidamente, prestam atenção no sentimento de compaixão que flui de um coração para o outro.
Há quem diz que existem vários tipos: de urso, de amigo, de namorados, virtual, protetor, roubado, de mãos, de despedida, terapêutico e por aí vai. No Brasil existe até o dia do abraço que é comemorado no dia 22 de maio.
Todos que me conhecem sabem o tanto que prezo por esta forma de carinho. Nele tento passar o que há de melhor em mim, um amor puro e incondicional, pois sempre o concedo do fundo do meu coração.
Tenho uma amiga que não gosta de abraços. É até engraçado se não fosse triste. Toda vez que a encontro tenho aquela vontade imensa de abraçá-la, mas lembro-me o quão desconcertada ela fica. Uma vez, aqui em casa, eu e minha irmã falamos que iríamos fazer a terapia do abraço com ela, então a abraçamos ao mesmo tempo, mas acho que não surtiu muito efeito, pois ela logo pediu para a soltarmos.
Fico imaginando o que aconteceu com ela para não gostar deste gesto tão carinhoso, afinal, como já diz a banda Jota Quest em sua música “Dentro de um abraço”: o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.
Vivendo esta minha mania de abraçar (não todos, mas pessoas as quais tenho uma grande consideração), formulei minha própria teoria sobre amplexo. Ele é firme e, ao mesmo tempo, leve. Quando sentimos uma irresistível vontade de abraçar alguém, estamos demonstrando a sensibilidade da nossa alma. É como dizermos que identificamos a outra pessoa como sendo alguém especial. Normalmente, quando não se tem palavras para expressar um sentimento, nada se diz: apenas se abraça a outra pessoa com o coração. E, quando se é sincero, não conseguimos esconder o que sentimos, pois o toque é a manifestação mais forte que possuímos.
Como já dizia o matuto mineiro em seu discurso sobre a tecnologia do abraço:
“O abraço é bom por causa do coração. Quando você abraça alguém, você está fazendo massagem no coração e o coração do outro é massageado também! Mas não é só isso não... Aqui está a chave do maior segredo de tudo: é que quando a gente abraça alguém, nós ficamos com dois corações no peito!”
É...concordo com o matuto e ouso ainda completar que os abraços deveriam ser os únicos apertos que a gente deveria passar na vida.
Sintam-se abraçados, mesmo que virtualmente!
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